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SenegalModa e grafite verde, amarelo –
e vermelho

A mama África corre nas veias brasileiras. A cultura africana está presente nos nossos hábitos diários, nas nossas palavras e na nossa comida. E esses são apenas os exemplos palpáveis. Existe algo maior, uma conexão que vai além dos costumes. Viajar pela África é muitas vezes se sentir em casa e, mesmo um oceano de distância, a sensação em diversas ocasiões é de que você, na verdade, não está tão longe assim. Talvez, uma das principais razões para isso seja a semelhança na linha de pensamento e na complexidade de raciocínio. Nossas manias são as mesmas, nossas ideias de convívio em sociedade também. O sentimento é recíproco, dizer que é brasileiro na África significa ganhar um sorriso imediato. Existe uma ligação entra cá e lá que forma um círculo de identidade mútua.

 

 

No Senegal, a conexão corre e se espalha pelas cidades: no modo de ocupar as ruas, nas relações familiares extensas, nas mulheres em suas vendas, no agito das feiras e nas interfaces invisíveis. A Embaixadora do Brasil no Senegal, Maria Elisa Teófilo De Luna, para celebrar essa ligação desenvolveu um evento especial como programação da agenda cultural da Embaixada no país, convidando artistas senegaleses para fazer um crossing de seus trabalhos com o imaginário coletivo da África sobre o Brasil. A embaixadora, que aponta as semelhanças na maneira de tratar as pessoas, no gosto pelas cores e na manualidade excepcional, acredita que os laços são ainda maiores do que isso: “É algo que para identificar é preciso sensibilidade. Existe uma comunicação no nível sutil da emoção, que é o que mais aproxima as duas regiões”.

 

 

De Luna, que mora no país há quase quatro anos explica: “muitas vezes não dá para especificar ‘é isso ou é aquilo’, até porque as duas regiões tiveram uma evolução distinta e durante um longo período ficaram separadas pelo muro construído no Atlântico pelos colonizadores. Mas como disse Alberto da Costa e Silva: apesar disso continuaram as trocas e continuam, sobretudo, em direção mútua. A África continuou a viver no Brasil, em um lugar muito próprio dentro do imaginário de cada brasileiro. E a mesma coisa em relação ao Brasil aqui”. Para embaixadora, é essa aproximação no nível sutil o que mais une as duas populações e o que mais nos deixa à vontade na África. “Mas para entender isso, o viajante tem quer estar com o olhar aberto, com olhar para ver e não o olhar para passar. Um país jovem como o Senegal tem muito a oferecer em matéria como criatividade e inovação. Aqui existe uma abertura que permite as pessoas mostrarem seu potencial, só é preciso querer enxergar”.

 

 

Foi pensando nessa abertura que para o evento foram convidados grandes talentos artísticos do país como a estilista Mariama Schumann Ndiaye e o grafiteiro Docta, além de uma série de pequenas exposições artesanais, que traziam trabalhos em joias e tecidos locais, de modo que fossem priorizadas as artes da economia criativa: moda, arte pública e moda artesã. Mariama e Docta, as principais atrações da noite, escolheram suas inspirações no Brasil e desenvolveram um projeto com aquilo que mais lhes agradavam no fluir de ideias que tinham sobre o país agregado aos seus valores e alentos senegaleses. Um desfile e um mural foram os estonteantes resultados da noite, que foi acompanhada por acarajés, coxinhas, camarões empanados e por um mix musical afro-brasileiro.

 

 

O grafiteiro Docta, unanimidade da arte urbana no Senegal e fundador da primeira instituição de grafite da África, escolheu como um dos objetos de conexão o Cristo Redentor. Para o artista, sua posição e grandeza, além da vista inspiradora do mar, são elementos que criam no Senegal ligações imediatas com o Brasil. O outro elemento escolhido foram as carrancas. Docta, que tem o estilo marcado pela criação inovadora de máscaras, se identificou com a peça brasileira: “As máscaras que faço não existem fora da minha cabeça. Eu que crio nomes, almas e espíritos a elas. E quando descobri a carranca, eu senti o link imediato: uma máscara de espírito positivo que afasta as coisas ruins – um espírito de partilha, de comunhão – e a noite de hoje é sobre isso”.

 

 

Docta é responsável por transformar grafiteiros de diversos países da África e pelo resto do mundo em líderes sociais. Suas obras têm o objetivo de pensar a arte urbana de modo que ela sirva para a população, seguindo o conceito de que o grafite pertence a comunidade, e por isso tem que servir, defender e conscientizar seus membros. “Colocamos cor, colocamos arte e criamos uma mensagem. Acredito no grafite cidadão e partilhado, para aplicar isso no mural de hoje e falar da conexão entre as duas regiões, não precisei procurar muito longe dos meus sentimentos”, completa o artista.

 

 

Já Mariama Schumann Ndiaye, artista com deficiência auditiva, trouxe um toque especial para o evento. Seu desfile, um mix inspirado na cultura senegalesa e na imagem fantasia da artista sobre o Brasil, trouxe ao palco uma coleção para romper preconceitos. Suas peças feitas para diferentes tamanhos e formas de corpo foram utilizadas por modelos portadores de deficiência. Uma escolha, que para Mariama, serve para incentivar outras pessoas na mesma condição dos sonhos possíveis. Com cortes modernos e estilo urbano africano, a estilista misturou as estampas brasileiras e a curva das roupas para dar o toque da conexão. E para encanto da plateia, finalizou o desfile com a sua própria versão da Carmem Miranda – a primeira Carmem Miranda afro-brasileira.

 

 

**Com carinho, o Afreaka agradece todo o incentivo da Embaixadora Maria Elisa Teófilo de Luna e da Embaixada do Brasil no Senegal, que abriu as portas para o projeto no país, nos apoiando com estadia, transporte e ampliação da rede de contatos e dividindo o objetivo de promover a cultura africana e ressaltar a importância da conexão afro-brasileira.

 

 

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